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Ansiedade

O que você precisa entender sobre a ansiedade

Por Amanda Terra · Psicóloga · CRP 06/212094Leitura de 4 min
Amanda Terra à mesa, com o notebook aberto e uma xícara ao lado, apoiando o rosto na mão em um momento de reflexão

Quem vive com ansiedade provavelmente já ouviu que precisava relaxar, pensar positivo ou tentar ter mais controle, como se fosse uma questão de se esforçar um pouco mais.

Mas ansiedade é uma emoção que faz parte do nosso sistema de proteção. Quando percebemos uma ameaça, nosso corpo se prepara para lidar com ela. O problema é que esse sistema nem sempre consegue diferenciar um perigo que está acontecendo agora de algo que pode acontecer, e é aí que a mente começa a correr na frente.

A ansiedade costuma vir acompanhada de muitos pensamentos, previsões e perguntas, em sua maioria começando com “e se?”. E se der errado? E se eu não conseguir? E se alguma coisa acontecer?

Pensar no futuro não é, por si só, um problema. Planejar, se preparar e considerar possibilidades também são formas de cuidado. A questão aparece quando pensar no futuro deixa de ajudar a encontrar caminhos e passa a ser uma tentativa constante de encontrar uma certeza que não existe.

A gente imagina cenários, repassa conversas, procura sinais de que alguma coisa vai dar errado e tenta antecipar todas as possibilidades. Só que, quanto mais a mente tenta prever o que pode acontecer, mais coisas ela encontra para se preocupar. O corpo acompanha esse movimento: o coração acelera, a respiração muda, os músculos ficam tensos, o sono pode ficar mais leve e a atenção começa a procurar qualquer sinal de que existe algo errado. Então, o próprio desconforto do corpo pode ser interpretado como mais uma confirmação de que há algum perigo por perto, mantendo o ciclo da ansiedade.

Talvez essa seja uma das razões pelas quais a preocupação seja tão difícil de abandonar. Ela nem sempre parece preocupação. Às vezes, parece responsabilidade: “se eu pensar em tudo antes, vou estar mais preparada”, “se eu conferir mais uma vez, vou ter certeza de que está tudo certo”, “se eu conseguir prever o que pode acontecer, talvez consiga evitar”. Faz sentido. Afinal, quem não gostaria de se sentir preparado?

O problema é que a tentativa de controlar todas as possibilidades pode acabar deixando a vida menor. Começamos a evitar situações que provocam ansiedade, pedir confirmações, conferir várias vezes, adiar aquilo que parece difícil ou buscar garantias de que tudo vai ficar bem. Essas estratégias podem trazer alívio naquele momento, mas, com o tempo, nosso cérebro pode aprender que realmente precisávamos daquela proteção para conseguir lidar com a situação. E, na próxima vez, a ansiedade aparece de novo.

Por isso, às vezes, o que mantém a ansiedade não é apenas o medo, mas também a maneira que encontramos para tentar não sentir medo.

Na terapia, o objetivo não é eliminar completamente a ansiedade. Ela tem uma função e faz parte da experiência humana. O trabalho está em entender quando essa resposta está ajudando e quando começa a limitar a vida, inclusive aprendendo a olhar para os pensamentos de outra forma. Nem tudo o que a nossa mente produz é verdadeiro, e nem todo pensamento precisa ser levado até o fim. Um “e se der errado?” é uma possibilidade, não uma previsão.

Aos poucos, podemos aprender a perceber esses pensamentos sem tratá-los como verdades absolutas e também nos aproximar de situações que costumamos evitar, descobrindo que é possível lidar com algum desconforto sem precisar eliminá-lo primeiro.

A atenção plena pode ajudar nesse processo. Em vez de entrar em cada pensamento e tentar resolver tudo o que ele apresenta, podemos perceber o que está acontecendo: “estou preocupada agora”, “minha mente está imaginando um problema”, “meu corpo está em alerta”. Sem precisar brigar com o pensamento, nem resolver tudo naquele instante. É perceber o que está acontecendo e, então, voltar para aquilo que está acontecendo de verdade.

Para fechar

A ansiedade é um sistema de proteção tentando nos preparar para um futuro que ainda não chegou. Não dá para ter certeza de tudo e nem controlar todas as possibilidades, mas podemos aprender a perceber quando estamos tentando controlar o que não está sob nosso controle, tolerar um pouco mais da incerteza e voltar para a vida que está acontecendo enquanto nossa mente tenta correr para frente.

Porque o futuro merece planejamento, mas a vida também acontece enquanto a gente está aqui.

Talvez compreender seja um primeiro passo.

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Este conteúdo tem caráter educativo e reflexivo. Não substitui avaliação, diagnóstico ou acompanhamento psicológico individual. Se você estiver em sofrimento intenso ou em risco, procure ajuda imediata: CVV 188 (24h) ou SAMU 192.

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